sábado, 19 de maio de 2012


Um tremor de terra atingiu a cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, por volta das 10h40 deste sábado (19). De acordo com o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), a intensidade do tremor ficou entre 3,8 e 4,2 graus na escala Richter.
O professor Lucas Barros, chefe do Observatório, explicou que a magnitude exata não pôde ser medida no momento do fenômeno, e a avaliação foi feita com base em tremores anteriores e na descrição dos moradores da cidade.
O Corpo de Bombeiros de Montes Claros recebeu cerca de 50 chamadas na manhã de hoje, a maioria solicitando orientações e vistoria de prédios. Não houve nenhum desmoronamento ou feridos com o sismo, mas há ocorrências de vistorias em edificações que apresentaram rachaduras após o fenômeno natural.
Cerca de 40 solicitações para vistorias em edificações que sofreram algum tipo de rachadura foram registradas hoje pelo Corpo de Bombeiros de Montes Claros. Os bombeiros informam que, entre as principais ocorrências de rachaduras, estão a Universidade Estadual de Montes Claros e o Shopping Popular, no centro da cidade. Essas edificações estão sendo vistoriadas pelas equipes de bombeiros e a Defesa Civil do município.
Foram registradas rachaduras em residências dos seguintes bairros: Vila Atlântida, Nova Morada, São José, Vilage, Bela Paisagem, Vila Áurea, Todos os Santos, Santos Reis, Renascença, Maracanã, Vila São Francisco de Assis, além da região central da cidade.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pequena Parcela
Chico Xavier

Que eu continue a acreditar no outro
mesmo sabendo de alguns valores tão estranhos que permeiam o mundo!


Que eu continue otimista...
mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre!

Que eu continue com a vontade de viver
mesmo sabendo que a vida é em muitos momentos,
uma lição difícil de ser aprendida!

Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos,
mesmo sabendo que com as voltas do mundo,
eles vão indo embora de nossas vidas!

Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda!

Que eu mantenha meu equilíbrio,
mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho!

Que eu sustente a luz e o brilho no olhar,
mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo,
escurecem meus olhos!

Que eu retroalimente minha garra,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o Sucesso e a Alegria!

Que eu atenda sempre mais a minha intuição,
que sinaliza o que de mais autêntico possuo!

Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça,
mesmo em meio à turbulência dos interesses!

Que eu não perca o meu forte abraço e o distribua sempre;
que eu perpetue a Beleza e o Brilho de ver,
mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos!

E que eu manifeste o amor por minha família,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia!

Que eu acalente a vontade de ser grande,
mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena!

E, acima de tudo...
Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada Vida,
criada por Alguém bem superior a todos nós!

E que as grandes mudanças não ocorram por grandes feitos de alguns e, sim,
nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!

Precisamos uns dos outros.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

 

MPF acusa prefeito de Montes Claros de improbidade administrativa Luiz Tadeu Leite teria induzido a erro o Ministério da Saúde para receber indevidamente recursos públicos federais

Montes Claros. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou duas ações de improbidade administrativa contra o prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, e seu secretário municipal de saúde, José Geraldo de Freitas Drummond.
Eles são acusados de manipular informações acerca do funcionamento de unidades de saúde para que o município continuasse recebendo indevidamente recursos públicos federais. Segundo o MPF, mais de 4,6 milhões de reais foram repassados nessas condições pelo Ministério da Saúde à Prefeitura de Montes Claros e não se sabe o destino dado a toda essa verba.
As irregularidades tiveram início em 2009, quando Luiz Tadeu Leite tomou posse como prefeito municipal, e estão relacionadas ao funcionamento de dois programas do Governo Federal: os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS), ambos vinculados ao Ministério da Saúde.
Informações falsas -Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família são custeados por recursos da União, mas as verbas somente são direcionadas às prefeituras quando e se atendidas as normas do programa, isto é, a União somente repassa a verba se os NASF realmente estiverem em funcionamento.
Não foi o que ocorreu em Montes Claros. Em meados de 2008, cinco núcleos foram implantados na cidade e a prefeitura passou a receber 20 mil reais para o custeio de cada um deles. No início de 2009, assim que assumiu a gestão municipal, o atual prefeito teria dispensado cerca de metade dos profissionais de saúde cadastrados no Ministério da Saúde como integrantes dos NASF e remanejado os demais para outras atividades, prejudicando por completo o funcionamento dos núcleos.
Os profissionais dispensados, no entanto, continuaram inscritos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), como se os NASF estivessem em efetivo funcionamento e cumprindo integralmente o que determina a Portaria GM nº 154/2008 do Ministério da Saúde, o que possibilitou, à Prefeitura, continuar recebendo indevidamente os repasses federais. Em 2009, foram R$ 1,1 milhões; em 2010, a mesma quantia; em 2011, R$ 1,2 milhões e mais 200 mil reais até março deste ano.
Em depoimento prestado ao MPF há cerca de um mês, uma servidora, cirurgiã dentista, relatou que, apesar de afastada há mais de três anos da chefia de um dos NASF, que inclusive veio a ser fechado, ela teria permanecido cadastrada no CNES como se ainda exercesse a chefia da unidade até meados de fevereiro deste ano, quando, ao descobrir o fato, comunicou a irregularidade ao Ministério da Saúde.
Outros três depoentes, que atuavam em diferentes núcleos, confirmaram os mesmos fatos. Um deles, médico, ainda informou os prejuízos causados na assistência à saúde da população, e exemplificou com o caso de uma criança com paralisia cerebral, que anteriormente era pouco internada porque recebia atendimento no NASF do Bairro Novo Sion e que, com o fim dos serviços, passou a ser internada com frequência em um hospital da cidade.
Segundo a ação, "os prejuízos causados pelos réus à gestão da saúde pública podem ser vistos sob diversos enfoques, em especial, o da fraude ao patrimônio público federal, pois verbas com destinação específica deixaram de ser aplicadas nos fins a que se destinavam, e o do prejuízo causado à população montesclarense, que teve ilegitimamente suprimido o direito de acesso à saúde pela via preventiva dos 05 NASF que anteriormente funcionavam na cidade".
Agentes de Saúde -O mesmo teria ocorrido na execução do Programa Agentes Comunitários de Saúde, com a manutenção, no CNES, dos nomes de profissionais exonerados de suas funções desde 2010.
De acordo com o MPF, o município teria contratado, entre julho e setembro de 2009, 139 agentes comunitários de saúde de forma totalmente irregular. Em ação de improbidade em curso na Justiça Estadual, consta que a contratação ocorrera por motivos políticos, no âmbito da campanha eleitoral do filho do prefeito ao cargo de deputado estadual.
Segundo a ação, em maio de 2010, esses 139 profissionais foram exonerados de suas funções, mas, no mês seguinte, 72 deles foram recontratados pela prefeitura, também de forma precária e sem concurso público, só que, desta vez, para exercerem as funções de professor de educação básica e servente de zeladoria. Ou seja, em nenhuma atividade relacionada à saúde.
Apesar disso, relação encaminhada pelo Ministério da Saúde ao MPF revelou que 92 agentes comunitários de saúde exonerados de suas funções em maio de 2010 continuaram fraudulentamente cadastrados no CNES, de modo que a prefeitura continuou a receber o valor do incentivo financeiro repassado pela União por cada agente indevidamente cadastrado.
"Interessante observar que o valor desse repasse está diretamente relacionado ao número de agentes cadastrados. Assim, a fraude permitiu que o Município de Montes Claros continuasse a receber indevidamente verbas federais cujos valores, somados, podem chegar a mais de um milhão de reais", narra a ação.
O MPF desconfia que ainda hoje existem ex-agentes comunitários de saúde inscritos irregularmente. "É que, cinco meses depois do envio da lista pelo Ministério da Saúde, 28 deles continuavam cadastrados no sistema como se estivessem em atividade e é possível que o município continue a receber indevidamente os repasses de verbas federais por tais ex-ACS".
Para o Ministério Público Federal, os réus agiram dolosamente, visando ao recebimento dos recursos federais com desvio de finalidade. Com isso, eles violaram princípios constitucionais da Administração Pública, em especial os da legalidade, da moralidade administrativa e da eficiência, além de terem causado prejuízos ao patrimônio público federal, em virtude do recebimento fraudulento de verbas da saúde.
Pedidos -Nas duas ações, foi pedida a condenação do prefeito e do secretário municipal de saúde nas sanções previstas no artigo 12 da Lei 8.429/92 e o ressarcimento ao erário das verbas recebidas indevidamente. Se condenados, entre outras punições, eles podem ter os direitos políticos suspensos por prazo a ser fixado na sentença, serem obrigados ao pagamento de multa e ficarem impedidos de contratar com o Poder Público e de receberem incentivos fiscais ou creditícios.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Minas Gerais

Extraído de: Procuradoria da República em Minas Gerais  - 8 horas atrás-  http://pr-mg.jusbrasil.com.br/noticias


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O prazer e o poder da leitura


Dizem por aí, os cientistas e estudiosos, que para assimilar uma nova informação, o cérebro precisa entrar em contato 27 vezes com esse dado.


Ao ler um livro, você tem uma imersão que pode ser uma verdadeira aula sobre qualquer assunto. Numa hora você nunca ouviu falar em Robert Langdon e sabe pouco sobre o Vaticano. Doze horas depois você é um expert que poderia dar uma palestra sobre a troca de papas e amigo íntimo de Robert.


O aprendizado é mais rápido e melhor aproveitado quando feito por meio de vínculos e associações. Por isso que cada leitura é um aprendizado, já que entramos em contato com assuntos que estão circunscritos dentro de um contexto.


Desta forma, além de transmitir sentimentos como humor, superação, força de vontade, emoção, glamour etc., histórias podem:


*gerar conhecimento, fazendo com que os leitores tomem ciência de um determinado assunto.

*estabelecer um valor, já que nada tem valor em si e somos nós que atribuímos valor às coisas de acordo com alguns parâmetros.

*facilitar a "projeção", ou seja, que o leitor se coloque no lugar de um personagem e vivenciar as mesmas experiências que ele.

*explicar didaticamente e na linguagem de qualquer pessoa praticamente qualquer coisa (tanto que a bíblia existe até hoje no mesmo formato)


Não é à-toa, não conseguir parar uma pessoa que começa a ler um bom livro. O estranho é que são poucas as que iniciam o processo. Como disse Drummond "a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede."



OBS: caso queria saber mais sobre a arte da
leitura de obras de ficção,

W'nderer Writer e a Volta ao Mundo

domingo, 6 de maio de 2012


Dialética da mudança

As certezas nos dão tranquilidade; pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés

Certamente porque não é fácil compreender certas questões, as pessoas tendem a aceitar algumas afirmações como verdades indiscutíveis e até mesmo a irritar-se quando alguém insiste em discuti-las. É natural que isso aconteça, quando mais não seja porque as certezas nos dão segurança e tranquilidade. Pô-las em questão equivale a tirar o chão de sob nossos pés.

Não necessito dizer que, para mim, não há verdades indiscutíveis, embora acredite em determinados valores e princípios que me parecem consistentes. De fato, é muito difícil, senão impossível, viver sem nenhuma certeza, sem valor algum.

No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos eram os que os questionavam, mesmo porque, dependendo da ocasião, pagavam com a vida seu inconformismo.

Com o desenvolvimento do pensamento objetivo e da ciência, aquelas certezas inquestionáveis passaram a segundo plano, dando lugar a um novo modo de lidar com as certezas e os valores.

Questioná-los, reavaliá-los, negá-los, propor mudanças às vezes radicais tornou-se frequente e inevitável, dando-se início a uma nova época da sociedade humana. Introduziu-se o conceito não só de evolução como o de revolução.

Naturalmente, essas mudanças não se deram do dia para a noite, nem tampouco se impuseram à maioria da sociedade. O que ocorreu de fato foi um processo difícil e conflituado em que, pouco a pouco, a visão inovadora veio ganhando terreno e, mais do que isso, conquistando posições estratégicas, o que tornou possível influir na formação de novas gerações, menos resistentes a visões questionadoras.

A certa altura desse processo, os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis que governam o mundo material e social.

Mas esse conhecimento era ainda precário e limitado. Basta dizer que, até começos do século 20, ignorava-se a existência de microrganismos -como vírus e bactérias-, o que inviabilizava tratar doenças como a tuberculose.

Costumo dizer que o poeta Augusto dos Anjos foi assassinado pelo tratamento médico de uma pneumonia: submeteram-no a sangrias e lavagens intestinais, debilitando-o mais, ou seja, anularam-lhe as defesas naturais e o desidrataram.

A descoberta dos vírus e bactérias como causas de muitas e graves enfermidades possibilitou a produção dos antibióticos, o que representou um enorme avanço na cura desse tipo de doenças.

Igualmente significativas foram as mudanças nos terrenos econômico e político, resultantes da crítica ao capitalismo e da luta dos trabalhadores em defesa de seus direitos. O comunismo se impôs como uma alternativa à democracia burguesa e influi até hoje na visão ideológica de parte considerável da sociedade contemporânea.

Todos esses fatos -que são apenas uns poucos exemplos do que tem ocorrido- tornam indiscutível a tese de que a mudança é inerente à realidade tanto material quanto espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.

Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende determinados valores estabelecidos, em contraposição a outros considerados inovadores, está indiscutivelmente errado.

Em outras palavras, bastaria apresentar-se como inovador para estar certo. Será isso verdade? Os fatos demonstram que tanto pode ser como não.

Mas também pode estar errado quem defende os valores consagrados e aceitos. Só que, em muitos casos, não há alternativa senão defendê-los. E sabem por quê? Pela simples razão de que toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.

Por outro lado, como a vida muda e a mudança é inerente à existência, impedir a mudança é impossível. Daí resulta que a sociedade termina por aceitar as mudanças, mas apenas aquelas que de algum modo atendem a suas necessidades e a fazem avançar.
Ferreira Gullar
 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Professores se veem cada vez mais acuados por alunos em salas de aula

Paula Filizola - Correio Braziliense
Publicação: 22/04/2012 07:31 Atualização:

Há 13 anos, grávida de oito meses, Edielza foi agredida por um aluno  (Bruno Press/CB DA Press)
Há 13 anos, grávida de oito meses, Edielza foi agredida por um aluno
Brasília – Os vestígios de um trauma vivido há 13 anos em uma escola, em Ceilândia, no Distrito Federal, não conseguiram tirar a professora Edielza Figueiredo, 44, das salas de aula. Entretanto, o episódio de agressão deixou marcas profundas, que são lembradas com clareza até hoje. Grávida de oito meses de seu terceiro filho na época, ela foi vítima de um aluno, supostamente drogado, que jogou uma mesa escolar em sua barriga. “Na hora, mantive a calma e consegui até resolver o problema. Mas quando cheguei em casa, comecei a sentir muito medo. Até contrações eu tive. Senti-me vulnerável, não queria voltar”, relembra.

Histórias como as de Edielza são rotineiras nas escolas da rede pública brasileira. Dados de uma pesquisa da Unesco, de 2006, revelam que 80% dos professores das principais capitais brasileiras enfrentaram, em algum momento, violência no trabalho. Em Minas Gerais, um levantamento feito pelo sindicato da categoria (Sinpro-MG), revelou que a cada três dias um caso de violência é registrado contra docentes em escolas públicas ou privadas do estado. A falta de políticas públicas educacionais formuladas pelo Ministério da Educação (MEC) e secretarias estaduais reforça o cenário assustador, que preocupa bastante sindicatos e especialistas.

Os dados são alarmantes em várias partes do país. A pesquisa Observatório da Violência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), divulgada no ano passado, mostrou que os casos de agressão a professores nas escolas públicas paulistas têm crescido cerca de 40% por semestre nos últimos três anos. Em Brasília, a média chega a seis casos por semana. Porém, representantes de sindicatos alertam que o número pode ser maior, já que muitos docentes preferem não oficializar as denúncias.

Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas afirmam que, na maioria dos casos de agressão, as motivações são corriqueiras. “É uma nota baixa, um professor que chamou atenção e tirou da sala de aula”, analisa a socióloga e coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Miriam Abramovay.

Com 26 anos de magistério, Edielza conta que já passou por inúmeros episódios de violência nas escolas em que trabalhou. Mesmo apaixonada pela profissão, a professora até chegou a pensar em largá-la. O pedido, inclusive, também foi feito pelo seu filho mais velho, na época com 10 anos. “Ele me falava: ‘mãe, você é muito inteligente, vai fazer outra coisa’”, recorda. Porém, a professora decidiu continuar por acreditar na educação.

Impunidade resulta em mais violência

Atrevido e indisciplinado, o aluno Carlos*, de 16 anos, provocou o professor de sociologia Roberto* ao acender um cigarro de maconha dentro da sala de aula em um colégio público do Recanto das Emas, no Distrito Federal. O menino era conhecido na região por participar de uma quadrilha de traficantes. Depois de confrontar o estudante, o docente foi relatar o caso na delegacia, sendo orientado a pedir transferência de instituição. Quatro meses depois, o professor retornou e foi informado de que o adolescente havia sido assassinado. Ainda assim, Roberto convive com o medo. Recentemente, no Rio de Janeiro, um aluno de 14 anos ameaçou voltar à escola com traficantes depois que a direção chamou seus pais para uma reunião.

Em 2011, a diretora de uma escola pública de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi agredida com chutes e ameaçada de morte por um aluno. No mesmo ano, na capital mineira, uma diretora foi ameaçada e teve a cabeça empurrada contra a parede por chamar a atenção de um aluno de 15 anos.

Episódios como esses favorecem a ampliação do debate em torno de punições mais severas aos infratores e presença constante de agentes policiais nas escolas da rede pública. Apesar dos casos cada vez mais frequentes de violência contra professores, a socióloga e coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Miriam Abramovay, acredita que a tendência de judicializar a educação é ruim. “Falta diálogo nas escolas. Os pais precisam participar mais. Porém, o caminho não é levar para o Judiciário.” O coordenador de Educação da Unesco, Paolo Fontani, concorda. “Sabemos que escolas mais ligadas à comunidade são menos violentas.”

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Roberto Magno Botareli Cesar, é preciso rever o Estatuto da Criança e Adolescente, porque a impunidade acaba resultando em mais agressões. A solução, segundo ele, pode ser o projeto de lei da deputada federal Cida Borghetti (PP-PR), que aguarda designação de relator na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Caso a proposta seja aprovada, o estudante infrator ficará sujeito à suspensão e, na hipótese de reincidência grave, será encaminhado à autoridade judiciária competente. A iniciativa da parlamentar mudaria o artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta das escolas como responsabilidade e dever da criança e do adolescente.

Na opinião do desembargador e coordenador da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, Antonio Carlos Malheiros, o projeto não resolve o problema. “Não precisamos de novas leis. Se a lei vigente não é aplicada, é um sinal de displicência. Ou muitas vezes de medo dos professores e diretores da escola de denunciarem. Mas o estatuto é uma das leis mais completas que temos”, justifica.

AMEAÇAS

Muitas vezes, as agressões acabam afastando os docentes da sala de aula. No Rio de Janeiro, o sindicato acompanha de perto o caso de 10 professores que deixaram de lecionar por causa de ameaças sofridas e, hoje, estão de licença médica com diagnósticos de estresse pós-traumático ou síndrome do pânico. A pesquisa do Apeoesp aponta que 70% dos professores paulistas que sofrem de estresse foram vítimas de algum ato violento por parte de alunos.

O quadro também se repete em Brasília. Depois de ser vítima de perseguição por parte de uma gangue em Taguatinga, no ano passado, o professor de educação física Hudson Paiva, 33 anos, tirou seis meses de licença. De volta à ativa, Hudson exibe características típicas de um trauma. “Fico alerta o tempo todo. Se levantarem a voz, logo registro queixa na delegacia”, acrescenta.

*Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados

sábado, 7 de abril de 2012

O que é Páscoa...

Quando eu era criança não entendia muito bem a Páscoa.

Só adorava procurar os ovinhos de chocolate que o coelhinho escondia.

Mas, o que tem a ver coelho com ovos, seus símbolos, com a ressurreição de Jesus ou a fuga dos hebreus do Egito comandada por Moisés? Agora sei qual a relação de tudo isto.

Os ovos são o símbolo do nascimento. Ali dentro, uma vida por vir ao mundo. É o eterno milagre da vida que renasce todos os dias.

O coelho é o animal que se reproduz com uma velocidade estonteante, é uma ode à família, uma declaração de amor que a natureza faz todos dias. Renascer é nascer, somos nós mesmos que renascemos nos nossos filhos, é a vida que se pereniza na prole.

A fuga dos hebreus é o fim da escravidão de um povo. A escravidão equivale à morte, escravizar equivale a tirar a vontade e a alma de alguém, equivale a tirar sua vida.

Se libertar da escravidão é viver de novo, é renascer, é estar sempre começando tudo de novo.

Por fim, Jesus é a ressurreição. Quer prova mais clara do que digo? Este eterno milagre que nos encanta é o milagre da vida que a Páscoa nos relembra.

A Páscoa é a ressurreição das nossas almas. Este é o dia de renascer, começar tudo de novo.

De nos libertamos do mal que corrompeu nossas almas e nos recobrirmos com o véu da pureza da alma que tivemos um dia.

Abandonar tudo o que é velho e antigo e olhar pra frente com coragem. Nos dedicarmos à vida como quem sorve o sumo de um fruto saboroso.

Hoje é dia de renascer. Feliz Páscoa para todos. (Benno Assmann)