terça-feira, 13 de setembro de 2011

O líder sustentável

De:Luiz Carlos Cabrera


A crise econômica que a partir dos Estados Unidos impactou o mundo numa velocidade extraordinária, e numa voracidade idem, mostrou que estamos frente a frente com uma enorme escassez de líderes. O que tínhamos em várias organizações pelo mundo - e o pior é que acho que ainda temos - eram líderes de curto prazo, de olhar míope e de ganância absurda. O crescimento econômico constante forjou esses líderes, divididos essencialmente em duas categorias: os sabidos e os espertos. Hoje, essas figuras desapareceram (e as que ainda se escondem estão com os dias contados). O que se demanda agora é o líder sustentável, cujo perfil tem como base quatro componentes:

1. Ter foco no resultado economicamente viável, justo e que promova a perenidade do negócio;

2. Promover ações socialmente responsáveis com foco no crescimento das pessoas;

3. Promover ações culturalmente aceitas, praticando e zelando pelos valores da empresa;

4. Atuar em todo o ambiente de forma ecologicamente adequada.

Não se iluda. O líder sustentável não é bonzinho. Ele é correto. Ele é justo! Ele tem profundo interesse pelo gênero humano e por isso está focado no crescimento das pessoas.

Sua inteligência e competência permitem que ele entenda culturas diversas e possa navegar por elas sem violentá-las ou ofendê-las. Sua visão globalizada é fruto do desenvolvimento de um modelo mental de respeito à diferenciação e ao pluralismo. Seu foco no resultado é constante, mas ele não prejudica os que estão à sua volta. Por isso é justo. Você vai perceber claramente quem ele é mais por suas ações do que por suas palavras. Os líderes sustentáveis vão transformar organizações, cidades e países. A história vai se repetir: primeiro a crise implacável, depois, a evolução natural e o desejo do homem de se aperfeiçoar criarão um ciclo virtuoso, e nele os líderes sustentáveis desempenharão um papel preponderante. Olhe bem à sua volta, escolha aquele líder que será o seu modelo e se apresse. A transformação já começou.
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O trabalho e o futuro

A informática é um ramo de atividade profissional do presente e do futuro.
Nunca o mercado exigiu tanto dos profissionais como atualmente, a perspectiva atual técnico-cientifíco-informacional têm exigido um nível cada vez mais elevado de qualificação (graduação, pós-graduação, conhecimento pleno em informática, idiomas entre outros atributos), além disso, o mercado exige que pessoas possuam também a capacidade de exercer múltiplas funções, realidade contrária ao processo de produção praticado no passado como o fordismo, no qual o trabalhador realizava apenas um trabalho alienado. Hoje o mercado cobra além de qualificação, atitudes como iniciativa, criatividade, bom relacionamento etc.
Segundo estimativas, algumas profissões vão se extinguir até por volta do ano de 2015, principalmente aquelas operacionais como cobradores de ônibus, caixas e todos os postos de trabalho que possam ser substituídos por máquinas.
No entanto algumas áreas teriam uma abertura maior de oportunidades como o turismo, meio-ambiente e internet, sabendo que não bastará apenas um diploma, mais sim, um alto nível de conhecimento interdisciplinar e de qualificação.
Por Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Polícia já identificou 25 grupos de skinheads em São Paulo

extraído do g1.com.br/fantástico

Mãe de jovem esfaqueado diz que filho não andava armado: “Ele achou no movimento punk uma forma de se manifestar”, justifica.

“Ele não foi o primeiro a morrer nem vai ser o último. O resultado disso vai ser a guerra”, diz o rapaz de 30 anos que não quer se identificar. Ele tem boas razões para isso.

Ele estava no meio do conflito que semana passada transformou uma rua de São Paulo em campo de batalha: a guerra entre gangues neonazistas e grupos contrários ao movimento. “A gente está correndo um risco permanente de ser agredido, de ser atacado. Eles perderam a vergonha, eu acho”, completou o rapaz.


O amigo dele, Johni Raoni Galanciak, de 25 anos, levou cerca de 20 facadas nas costas e no peito e morreu a caminho do hospital no sábado passado (3). Fábio dos Santos Medeiros, de 21, foi atingido na cabeça e continua internado em estado grave. Os dois jovens estavam em trincheiras opostas de um combate que vem crescendo também nas redes sociais da internet.

De um lado, estão os punks e os skinheads que são contrários à intolerância. Do outro, os skinheads que defendem o nazismo. É comum que os integrantes mudem de um grupo para outro ou troquem completamente de lado. Segundo a polícia, Guilherme Oliveira, preso acusado de esfaquear o punk Johni Raoni, também já foi punk e era amigo da vítima, mas hoje ele é um skinhead neonazista.

As tatuagens mostram claramente a mudança. A tinta mais fraca, já antiga, marcou a palavra punk. Nas novas marcas estão símbolos nazistas. Em uma imagem exclusiva, um jovem de 19 anos, conhecido como Treze, chega à delegacia com a mãe. Depois de prestar depoimento e negar a autoria do crime, ele foi preso temporariamente. Oliveira foi reconhecido por testemunhas. Se condenado, pode pegar de 15 a 30 anos de prisão por homicídio qualificado.

A polícia também já identificou o agressor da outra vítima. A prisão será pedida na próxima semana. Um parete de Johni que também não quer se identificar, diz que os punks foram surpreendidos por uma emboscada. “Não estamos falando de delinquentes juvenis. Como Romeu e Julieta, brigou a turma de baixo contra a turma de cima. Nós estamos falando de um segmento ideológico da população que prega o neonazismo”.

Durante dois anos, o estudante David Vega, de 22 anos, fez parte de um grupo radical: o movimento skinhead nacionalista. Ele abandonou o grupo e escreveu um livro em que conta o que viu e viveu. “Quando você está aliado a uma ideologia radical, os seus ânimos vão lá em cima.

Você enxerga o mundo pela verdade que você julga que ninguém consegue enxergar”, lembra o estudante David Vega, que conta como saiu do movimento: “Eu já não aguentava mais. Eu estava cansado de tudo isso. De sair na rua e não ter a tranquilidade de pegar um metrô e sentar sem ter de ficar preocupado. Eu queria paz”.

O movimento skinhead nasceu entre jovens brancos e negros da classe operária britânica no fim dos anos 1960. Eram identificados pela cabeça raspada e pelo tipo de música que ouviam. Foi só no fim dos anos 1970 que a política e as questões raciais surgiram e provocaram rachas e subdivisões. No Brasil, o movimento apareceu em São Paulo, no início dos anos 1980.

Hoje, a polícia do estado já identifica 25 grupos diferentes de skinheads. Nem todos defendem o nazismo. Os White Powers são os mais radicais. Defendem a raça branca e são contra judeus, negros, nordestinos e homossexuais. Os Carecas são nacionalistas, anarquistas e contra comunistas e gays.

Já os Antifascistas são contra o preconceito e contra o nazismo. Existe ainda uma linha de skinheads tradicionais, que combatem o preconceito e são desconectados da política. Os punks são anarquistas, contra qualquer tipo de autoridade e também repudiam o preconceito.

“Não adianta a gente achar que tem um lado bom e um lado ruim. As pessoas, quando se envolvem nesse tipo de gangue, estão em risco”, diz a delegada Margarete Barreto.
Para a delegada, especialista neste tipo de crime, o comportamento dos jovens pode dar dicas aos pais sobre o envolvimento com gangues radicais.

“O tipo de literatura que eles leem, o tipo de amigo que eles têm, as conversas que eles mantêm na internet, as tatuagens que eles ostentam, as roupas. Existem regras para entrar neste grupo. Então, ele se afasta da família porque muitas coisas ele não pode dizer para ela”, lembra Margarete Barreto.

A mãe do jovem que morreu esfaqueado diz que o filho não andava armado. “Ele achou no movimento punk uma forma de se manifestar”, justifica a professora Patricia Conceição. “Tinha muito medo. Ele andava com jaquetas, com emblemas antinazismo. Então, isso era uma provocação muito grande. Eles não perdoam”.


Em uma das jaquetas de Johni, uma frase se destacava ao lado de símbolos contra o nazismo: “Em uma guerra não existem ganhadores ou perdedores, somente milhares de mortos sem nenhum propósito".

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Aviso aos navegantes

Meu objetivo aqui é simples. Dizer aos cidadãos passivos que, passividade é uma escolha e não um estado no qual não há possibilidade de mudança de pólo. É possível sim ser ativo na política. É possível sim, fazer a diferença dentro do governo sendo um simples cidadão que tem vontade de mudança. Aliás, um simples cidadão com vontade de mudança, quando procura ser ouvido, sempre acha um meio. Basta querer. Basta tomar uma única atitude.

Qualquer ação faz diferença, principalmente, entre uma população que se encontra inerte desde que a ditadura militar acabou. O poder do povo unido faz toda a diferença. E isso, não é discursozinho de político, isso é fato. Quem não acredita me faça o grande favor, use dos artifícios que existem em suas mãos para descobrirem, para aprenderem. Se você é alguém que não aprendeu na escola ou não teve a chance de aprender, que muitas das grandes mudanças políticas que ocorreram pelo mundo, em diferentes épocas, ocorreram porque a população revoltada com as politicagens anti democráticas, foram as ruas, gritaram, reivindicaram e lutaram até conseguirem mudanças. Pessoas, usem a tecnologia a seu favor. Se você não sabe o que ocorre na política do seu país, procure saber. A internet existe para isso, é a forma mais fácil e rápida de se conseguir informação, hoje em dia. Ela não serve apenas para a diversão que as redes sociais fornecem. Aliás, pessoas, usem a força dessas redes sociais para se unirem contra a corrupção, contra a impunidade.

Muitos, na verdade, diria que 99% da população atual brasileira, adora reclamar. Reclamar é fácil, é prático, sem contar que, se o objetivo da reclamação em questão for provar para outro que você é alguém que se interessa pela política e sabe do que ocorre dentro dela, é, reclamar é o melhor caminho. Não quero que confundam meu objetivo aqui. Reclamar é essencial, é reclamando que se começa a chamar a atenção para o que não está bom. Mas reclamar sem agir, é completamente ineficaz. É a maior forma de passividade dentro da política. REAJAM. Procurem saber como os impostos estão sendo distribuídos, critiquem, falem, escrevam, apareçam. Afinal, aquele dinheiro que vocês pagaram de imposto no final do mês, está sendo desviado, isso é fato. Tudo aquilo que você investiu na educação brasileira, para que ela seja descente e excelente, está indo para a conta bancária de muitos políticos corruptos, ao invés de ir para a conta bancária de professores capacitados e que merecem um salário decente e digno. Você sabia que, se você tem filho e paga por uma boa educação em uma escola particular para ele, você está apenas pagando pelo ensino duas vezes? É. Seu filho tem direito a um ensino público e de qualidade, mas ao invés de você reivindicar esse direito dele, você prefere pagar por uma escola particular.

Temos que exigir que as medidas paliativas acabem. Que a governamentalidade atual acabe. Precisamos de uma reforma geral. Precisamos exigir que o ficha limpa dê certo. Precisamos que os políticos corruptos sejam desmascarados. Precisamos que o governo capitalista brasileiro, pare de pensar apenas na estabilidade do mercado, e comece a pensar na estabilidade na vida do brasileiro. Precisamos que a corrupção seja aprovada como crime hediondo. Precisamos de seriedade. Precisamos de honestidade. Precisamos de interesse social ao que acontece dentro da política. Precisamos de cidadãos brasileiros com vontade de mudança. PRECISAMOS URGENTE.

Estou cansada de ver dentro do meu meio social, aqueles que sentam em um bar e começam a discutir política. Não quero indignação com fim de aumentar o ego intelectual. Eu prefiro me abster nesse tipo de conversa. Cansei de ouvir pessoas, até mesmo dentro de uma faculdade de Direito, que dizem que não gostam de política ou que não gostam de discutir política. Peço a essas pessoas que me façam um favor, não falem por ai que vocês são cidadãos brasileiros, para mim, vocês são meras pessoas que moram no mesmo país que eu. Cidadão é aquele ativo, que procura saber o que está ocorrendo no seu país, que procura tentar mudar da forma que for possível. Qualquer atitude faz uma diferença tremenda. A simples ação de passar conhecimento para aquele que não possui, já faz uma diferença enorme.

Comecem a lutar pelos seus direitos. A constituição não prevê igualdade para que prevaleça a desigualdade. Por favor, UNAM-SE brasileiros. Lutem. Critiquem. Façam acontecer.

Espero que, dentre a maioria das pessoas que lerem esse texto, não apenas leiam, mas que passem a minha indignação para a frente. E aos navegantes, deixo meu recado dado. Faço meu papel de cidadã brasileira. E continuarei fazendo. Para aqueles que escutarem o hino nacional, prestem atenção na letra, “Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!”, comecei a ver essa frase como um pedido de socorro. “Salve!, Salve!” – Precisamos de mais heróis, o governo já está cheio de vilões para serem combatidos.

(Mariana Magalhães)
extraído do blogger de Anita Cristina: eumobilizo.blogspot.com

domingo, 4 de setembro de 2011

Se o piso não for pago em Minas será melhor fecharem o Congresso, o STF e a Presidência da República


A novela do piso salarial dos educadores, que já provocou a maior greve dos educadores da história de Minas Gerais, é emblemática. Ouso dizer: se o piso não for pago aqui em Minas, tal como mandam as leis federal 11.738/2008 (Lei do Piso), e estaduais 15.293/2004 e 15.784/2005 (Plano de Carreira e das Tabelas dos Educadores), será melhor mesmo fecharem o Congresso Nacional, o STF e a Presidência da República.

Estamos assistindo em Minas a um verdadeiro festival de agressão à legislação vigente, onde o governo, que controla os demais poderes da República no âmbito regional, tenta sistematicamente sonegar e não cumprir as leis federais e estaduais. A Lei do Piso foi aprovada em 2008, por unanimidade dos deputados, foi sancionada pelo presidente da República, e depois, tendo sido questionada por cinco desgovernadores (CE, RS, MS, PR e SC), teve sua constitucionalidade confirmada pelo STF em abril deste ano. Ora, o que mais precisa acontecer para que ela seja cumprida?

Pois aqui em Minas Gerais, primeiramente o governo tentou impor uma lei draconiana chamada subsídio, que praticamente acaba com o Plano de Carreira dos educadores, reduzindo percentuais de promoção e progressão (respectivamente de 22% para 10%, e de 3% para 2,5%), confiscando o tempo de serviço e incorporando todas as gratificações e vantagens adquiridas pelos educadores ao longo dos anos à parcela única, enquanto total de remuneração. O subsídio é mais ou menos a materialização da ADI 4167, que fora rejeitada pelo STF, que considerou o piso enquanto vencimento inicial, vencimento básico, e não soma total de remuneração, como acontece com o subsídio.

Mas, mesmo esta lei do subsídio, por ter sido elaborada antes da votação do STF, previa a possibilidade de que os educadores pudessem retornar, até o dia 10 de agosto, para a carreira antiga, do sistema remuneratório composto por vencimento básico mais as gratificações e vantagens. Contrariando as expectativas do governo, cerca de 153 mil educadores pediram o retorno para a antiga carreira. Os designados foram impedidos de tal opção, enquanto que os aposentados, muitos deles, sequer foram informados dos riscos que corriam com o subsídio; e ao não se manifestarem, estariam compulsoriamente presos ao subsídio.

Então, pelo menos para estes 153 mil educadores que voltaram para o sistema de vencimento básico o governo teria a obrigação constitucional, neste primeiro momento, de aplicar imediatamente o piso, que em Minas continua registrando os mais baixos valores do país: R$ 369,00 para o professor com ensino médio e R$ 550,00 para o professor com curso superior.

Mas, o governo mineiro, espertamente e sob os olhares complacentes do Procurador da Justiça, apresentou uma proposta de tabela indecente e imoral, através da qual o governo destrói completamente o Plano de Carreira em vigor em Minas Gerais. Nesta indecente proposta, o governo aplica o valor proporcional do piso do MEC para a jornada de 24 horas, resultando em R$ 712,20, para todos os professores dos diferentes níveis e progressões na carreira. E assim mesmo para janeiro de 2012, data em que haverá, pela lei 11.738/2008, novo reajuste no valor do piso de acordo com o custo aluno ano.

Assim, ao invés de pagar o piso imediatamente de acordo com o que manda o Plano de Carreira do estado, cujas tabelas instituídas pela Lei 15.784/2005 preveem um percentual de 22% entre os diferentes níveis de escolaridade, além da progressão de 3% entre os diferentes graus (letras), o governo simplesmente rasgou o texto do Plano de Carreira que prevê:

"Art. 4° - A estruturação das carreiras dos Profissionais de Educação Básica tem como fundamentos:

I - a valorização do profissional da educação, observados:

(...)

e) a evolução do vencimento básico, do grau de responsabilidade e da complexidade de atribuições, de acordo com o grau e o nível em que o servidor esteja posicionado na carreira;

(...)

Art. 16 - O desenvolvimento do servidor em carreira de Profissional de Educação Básica dar-se-á mediante progressão ou promoção." (Lei 15.293/2004)

Já na Lei 15.784/2005, que institui as tabelas, com os percentuais de 22% para mudança de nível (promoção) e de 3% para mudança de grau (progressão), observamos:

"... Art. 18 - Promoção é a passagem do servidor de um nível para o imediatamente superior, na mesma carreira a que pertence.

§ 1° - Fará jus à promoção o servidor que preencher os seguintes requisitos:

I - encontrar-se em efetivo exercício;

II - ter cumprido o interstício de cinco anos de efetivo exercício no mesmo nível;

III - ter recebido cinco avaliações de desempenho individual satisfatórias, desde a sua promoção anterior, nos termos das normas legais pertinentes;

IV - comprovar a titulação mínima exigida."

Imagine então que o servidor que passe por todo este processo, alcançando sua merecida mudança de nível (de I para II, ou de II para III, ou de III para IV), continuará recebendo, pela proposta imoral do governo, o mesmo piso salarial de R$ 712,20! Ou se ele andar nas letrinhas (de A para B, ou de B para C e assim por diante), após dois anos com duas avaliações positivas de desempenho, também continuará com o mesmo piso de R$ 712,20.

Ora, isso é uma verdadeira apropriação indébita de direitos adquiridos. É como se de uma hora para outra o governo resolvesse que TODOS os servidores públicos do estado passassem a receber um valor único, independentemente da sua formação acadêmica, do tempo de serviço, das gratificações que conquistaram ao longo da carreira, da complexidade do seu trabalho, etc. Isso é imoral, é ilegal, é revoltante até, e estranha-nos muito a cumplicidade do Procurador de Justiça de Minas Gerais, ao dizer cinicamente que com esta proposta o governo atende às exigências da Lei do Piso.

Isso representa uma quebra de contrato, um calote, um confisco aos educadores. Mas, uma coisa pelo menos ficou provado: se o governo pode quebrar contratos e rasgar leis ao bel prazer, tal como procura fazer agora, quando se trata de pagar aos educadores conforme manda a lei, então ele pode fazer o mesmo com qualquer um. Que tal então, para não ultrapassar a Lei de Responsabilidade Fiscal - outro pretexto para não pagar o piso dos educadores -, que o governo baixe um decreto reduzindo em 20% ou 30% de todos os salários dos mais altos cargos da hierarquia dos três poderes? Aliás, deveria começar pelo salário do procurador da Justiça, que demonstrou ter pouco zelo pelos direitos alheios, e em seguida atingir os salários dos deputados, dos desembargadores, das secretárias do governo, do próprio governador, etc.

Ora, o que estamos assistindo em Minas Gerais é uma verdadeira aula de desrespeito à lei. Uma agressão ao cidadão comum; e mais ainda: isso é uma afronta à Carta Magna do país, e deveria suscitar a imediata repulsa de todos, pois tal ameaça é uma porta aberta para a anulação e cassação de outros direitos. Amanhã serão outros setores do serviço público que terão seus direitos revogados. Depois, serão outros segmentos da sociedade que serão vítimas de semelhantes patifarias.

Minas Gerais tem se tornado o oposto dos sonhos libertários que empolgaram as muitas gerações. A estrutura de poder reinante em Minas envolve uma forma despótica de coronelismo da época imperial, na qual todos os poderes constituídos são servis ao Poder Executivo, com poucas vozes autônomas. E para completar esse quadro, temos uma mídia que igualmente, com raras exceções, é sensível apenas ao tilintar de muitos 30 dinheiros, que jorram feito fonte de água no bolso dos empresários que a controlam.

Afinal, o que nós, educadores, vamos ensinar aos alunos daqui para frente, se o nosso mísero piso salarial - estamos falando de R$ 1.187,00 para uma jornada de até 40 horas semanais! -, instituído em lei federal, for sonegado por um dos maiores e mais ricos estados do Brasil? O que vamos dizer para os alunos? Que este é um país de golpistas e canalhas, cujos governantes aplicam confiscos e roubos ao sabor dos interesses dos de cima? Que país é esse, que tem recursos sobrando para construir cidades administrativas, estádios de futebol, para bancar a Copa do Mundo, para pagar bilhões de juros aos banqueiros e credores das eternas dívidas internas, mas que nunca tem dinheiro para pagar aos educadores sequer um piso abaixo da crítica?

Mesmo virando lei, mesmo contanto com um fundo nacional - o FUNDEB -, mesmo podendo contar com o apoio do governo federal (que também se omite) ainda assim os governos estaduais e municipais encontram mecanismos vis para ludibriar a lei e não pagar aquilo que é direito dos educadores.

Que exemplo vamos deixar para as gerações atuais e futuras deste país? A mensagem que está sendo dita é: caros jovens, não sejam honestos, roubem, trapaceiem, sejam espertalhões e queiram levar vantagem sobre os mais fracos; sirvam sempre aos poderosos e enganem os mais frágeis.

É esta a aula pública que o governo de Minas e o governo Federal e todos os poderes constituídos deste país estão dando para a nossa juventude!

Felizmente, a nota diferente nessa triste melodia vem dos educadores em greve, dos alunos e dos apoiadores deste movimento grevista, que já dura 89 dias. Apesar de toda a máquina de destruir seres humanos usada para massacrar o nosso movimento, ainda resistimos, de pé, com garra e com coragem para vencer.

Quiçá as vozes independentes e as forças sociais dos de baixo se levantem enquanto ainda há tempo, para lutar contra essas práticas golpistas e cretinas dos de cima. Em nome de um estado e de um país melhores, para nós e para as próximas gerações.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

http://blogdoeulerconrado.blogspot.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mensagem aos Professores em Greve - de Leonardo Boff

Queridos colegas professoras e professores,

Estou estarrecido face à insensibilidade do Governador Anastasia face a uma greve dos professores e professoras por tanto tempo.

Ele precisa ser inimigo de sua própria humanidade para fazer isso. Ele não ama as crianças, não respeita seus pais, despreza uma classe de trabalhadores e trabalhadoras das mais dignas da sociedade, aquelas pessoas a quem nós confiamos nossos filhos e filhas para que recebam educação e aprendam a respeitar os outros e a acatar as autoridades que foram eleitas para cuidar dos cidadãos.

Essa intolerância mostra falta de coração e de compaixão no sentido mais nobre desta virtude que é sentir a necessidade do outro, colocar-se ao seu lado para aliviar seu padecimento e resgatar a justiça mínima de um salário necessário para a vida.

Recordo as palavras da revelação consignadas no livro do Eclesiástico capitulo 34 versículo 27:”Derrama sangue, quem priva o assalariado de seu salário". Não queremos um governador que aceita derramar sangue por não querer ceder nada aos professores e professoras que pedem o que é minimamente certo e justo.

Quero me solidarizar com todos vocês e apoiar as revindicações que estão formulando.

Com meus melhores votos e também preces diante dAquele que sempre escuta o grito dos oprimidos e injustiçados.

Leonardo Boff
Teólogo e escritor

Fonte:blogdabeatrizcerqueira.blogspot.com

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

• O preconceito de classe social é mais expressivo no Brasil do que o preconceito racial.

Claramente, a palavra segregação não deixa dúvida quanto ao seu significado mais geral, quando pesquisamos no dicionário: separação; divisão a fim de evitar contato; isolamento. Ao trazermos essa palavra para uma discussão de cunho sociológico, é inevitável pensarmos nos desdobramentos negativos para a vida social, principalmente do ponto de vista das hostilidades e conflitos sociais gerados pela segregação em si. Podemos observar vários tipos de segregação ao longo da história, os quais foram (e ainda são em alguns casos) motivados pelos mais variados fatores.

Segundo Ely Chinoy, embora sejam muitas as circunstâncias que possam influenciar na estrutura das relações entre indivíduos de grupos raciais e étnicos diferentes, pelo menos três merecem destaque. O primeiro diz respeito ao tamanho e ao número dos grupos, o que é fundamental para pensarmos em minorias ou maiorias; o segundo ponto diz respeito às diferenças entre esses indivíduos no aspecto físico e também cultural; finalmente, o terceiro aspecto diz respeito à disputa por recursos e por melhores condições de sobrevivência entre tais grupos, sendo que as maiorias almejam, dentro da estrutura social, submeterem as minorias, para delas tirarem vantagem.

Se considerarmos o segundo aspecto apontado por Chinoy, nele se enquadra a segregação racial, a qual diz respeito às diferenças físicas e, até certo ponto, também culturais. Obviamente, os demais fatores como ser uma minoria e estar em constante competição por recursos também devem ser considerados. A segregação racial está embasada na intolerância gerada, muitas vezes, por uma visão etnocêntrica de uma maioria em detrimento de uma minoria em um mesmo território. O etnocentrismo vilipendia as formas de organização que se diferem daquela que se tem por referência, gerando os mais diversos preconceitos. Assim, a construção pelo senso comum de alguns estereótipos, isto é, da rotulação de determinados grupos, é, em certa medida, um meio no qual o preconceito consegue se sedimentar.

A segregação racial não é um fenômeno social novo, estando presente já dentre as primeiras civilizações, as quais lançavam mão de organizações sociais regidas por castas. Porém, em sociedades como a Índia esse tipo de estratificação social ainda é uma realidade. No século XX, o mundo assistiu um dos maiores genocídios já vistos, fruto da segregação racial e do preconceito oriundos do regime nazista de Hitler, o qual foi responsável pela morte de milhões de judeus em campos de extermínio. Para além da Ásia e Europa, podemos pensar em um exemplo do continente africano. Embora a segregação nesse continente tenha origem no processo de colonização, na África do Sul, ao longo de décadas, prevaleceu o chamado regime de Apartheid, através do qual a segregação racial entre brancos (europeus) e negros (africanos) encontrava amparo até mesmo na lei. Uma fatia expressiva da população africana de cor negra era excluída de vários direitos civis, sociais e políticos, ou seja, alienados de sua cidadania. Porém, a transformação dessa realidade (que perdurou ao longo de boa parte do século XX) se daria mais tarde pela luta política de Nelson Mandela. Da mesma forma, é válido citar outros conflitos, mesmo que gerados menos por questões de raça do que por diferenças étnicas, como os que ocorrem entre palestinos e judeus, as lutas pela emancipação do povo basco no continente europeu, a luta entre católicos e protestantes na Irlanda, o preconceito de franceses contra imigrantes, além, é claro, daquele cultivado por norte-americanos em relação a latinos, árabes e imigrantes em geral.

Ainda sobre a segregação racial, é fundamental discorrer sobre a forma como os Estados Unidos lidaram e ainda lidam com o preconceito contra o negro. Para que pudessem ter um presidente afro-descendente, muitas lutas foram necessárias, como a de Martin Luther King, do próprio movimento contracultural, do grupo político dos “panteras negras”, entre outros. Ainda assim, o preconceito e a segregação, em maior ou menor grau, persistem naquela sociedade.

Se tomarmos o Brasil como exemplo, a segregação racial contra negros e índios promovida por brancos desde os tempos de colônia foi decisiva na formação da sociedade brasileira. O mito das três raças como explicação do nascimento do homem brasileiro não foi suficiente para acabar com o racismo, o qual agora existe de maneira velada, escondido atrás de uma falsa democracia racial como já apontava Florestan Fernandes. Contudo, vale a pena observar que, embora o racismo não esteja extinto e ainda existam desigualdades sociais alarmantes, não existe uma segregação racial, étnica ou religiosa tão destacada na sociedade brasileira como a que se viu nos exemplos citados anteriormente, ao redor do mundo. Obviamente, não podemos desconsiderar os recentes ataques pela internet aos nordestinos (tema do enredo de uma escola de samba em 2011), as agressões a jovens homossexuais, e este preconceito racial velado, todos indícios da existência de grupos intolerantes e preconceituosos contra minorias (isso sem falar do preconceito contra as mulheres). Porém, daí a comparar a sociedade brasileira com a África do Sul do Apartheid não seria coerente com a realidade nacional.

Para termos uma ideia da importância dessa temática, bem como do aceno positivo do Brasil para lutar contra qualquer tipo de segregação, a ONU (Organização das Nações Unidas) e o governo brasileiro criaram um site específico sobre gênero, raça e etnia em março de 2011. O site do PNUD, o Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia foi feito em parceria com outros órgãos vinculados à ONU, como a OIT e UNICEF, tendo como objetivo defender e propagar a incorporação da equidade de gênero e de cor/raça na gestão pública. Obviamente, esse assunto é mais complexo do que pode parecer, principalmente quando traz em sua esteira outras questões como a construção de uma identidade nacional e a ideia de pertencimento à nação, apenas para citar alguns exemplos.

Por isso, a promoção de fóruns de discussão por toda a sociedade, para além das escolas e universidades, é uma importante ferramenta na compreensão e formulação de alternativas mais justas e tolerantes para que possamos conviver com a diferença em um mundo que se diz “global”.

Paulo Silvino Ribeiro
Colaborador Brasil Escola
Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
Mestre em Sociologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
Doutorando em Sociologia pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas